História do Teckel

Esta raça tão singular tem uma série de características únicas. A começar pelo seu nome, que varia consoante a região do mundo em que se encontre. Na sua Alemanha natal, e em vários países da Europa Central, é conhecido como Teckel ou Dackel; nos países anglo-saxónicos, é chamado Dachshund, palavra alemã que designa a sua função original, “cão de texugo”. Em Portugal, é chamado de Baixote, derivando de Basset, numa clara alusão ao seu tamanho. Popularmente, por todo o mundo é ainda conhecido como sendo o famoso “cão salsicha”, devido à sua forma inconfundível.

Outra particularidade do Teckel é a de apresentar três tamanhos diferentes e três tipos de pelagem – curta, comprida e cerdosa – para cada tamanho. Ou seja, na prática, em vez de um, temos nove tipos de cão. A adicionar a isto, possui uma ampla gama de cores. Por isso, há certamente um para todos os gostos.

Aliás, o Teckel é tão único e especial que, dos 10 Grupos que a Federação Cinológica Internacional (FCI) reconhece, um deles (o Grupo 4) é dedicado em exclusivo a este cão, ao contrário do que ocorre com qualquer outra raça.

 

Um pouco de história

Alguns autores vêm esta raça representada nos pictogramas do antigo Egipto, em que por vezes aparecem representados cães com patas curtas. No entanto, é pouco provável que o Teckel já existisse nessa altura e num local tão longínquo onde nem existe tradição deste tipo de raças. Além de que esse tipo de desenhos nem sempre é uma representação fiel da realidade, mas sim estilizada.

Mais provavelmente, a raça terá surgido na Europa Central, em particular na Alemanha, por alturas do séc. XVII. As primeiras referências sólidas sobre o Teckel, originalmente chamado de “Dachs Kriecher” (“rastejante de texugo”) ou “Dachs Krieger” (“lutador de texugo”) provêm de livros escritos no início do século XVIII. Antes deste período existem referências a “cães de texugo” ou “cães de buraco”, mas que provavelmente dizem respeito a funções em vez de raças específicas.

Dachshund circa 1875

Autor: Karl Friedrigh Deiker, circa 1875 (imagem de domínio público)

Evolução da raça

Os primeiros Teckels eram de pelo curto, tal como a maioria das restantes raças de cães de caça. Esta é ainda hoje o tipo de pelagem mais conhecida pela maioria das pessoas.

Posteriormente surgiram os cães de pelo comprido, ainda pouco conhecidos pelo público em geral. Há duas teorias para o seu aparecimento. A mais popular refere o cruzamento de Teckels com Spaniels, originando um cão com uma abundante pelagem. A outra teoria diz respeito ao cruzamento seletivo dos cachorros de pelo comprido que ocasionalmente nasciam de cães de pelo curto (o pelo comprido é uma característica recessiva). Ambas as teorias são viáveis, e não mutuamente exclusivas.

A variedade de pelo cerdoso, hoje em dia a mais popular, foi curiosamente a última a aparecer. É proveniente de cruzamentos efetuados em finais do séx. XIX entre Teckels e Terriers.